A viagem pela Bulgária foi uma das melhores partes do meu mochilão solo no verão. Eu não tinha muito certeza do que encontraria nesse país que já viveu um monte de guerras e ocupações, e que tem algumas das cidades mais antigas do mundo. Mas a verdade é que antes de ir eu estava com certo medinho. Não exatamente por conta de qualquer coisa que pudesse me acontecer, mas porque é muito difícil, praticamente impossível, organizar toda viagem com antecedência. Você simplesmente tem que aceitar que terá que descobrir como ir de A até B na hora. E que alguns dos seus planos irão mudar. Mas isso não necessariamente será ruim.
Por lá, eles usam o alfabeto cirílico e nem todo mundo fala inglês. Para completar, a fama do país entre os europeus não é exatamente boa. Antes e depois, ouvi gente muito espantada com o fato de eu estar lá sozinha. Mas garanto para vocês que foi uma experiência incrível, segura e recomendo a todos ir lá visitar esse país que é lindíssimo, cheio de história e também mega barato (sério, eu gastei por volta de 35 euros por dia).
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Anfiteatro Romano em Plovdiv
Ah, acho importante lembrar que não precisa de visto para quem for ficar na Bulgária até 3 meses. Porém, haverá controle de passaporte na entrada e saída do país, visto que eles não fazem parte do Área de Schengen.
Enfim, vamos falar um pouco sobre o meu roteiro pelo país e algumas dicas que eu aprendi para ajudar vocês a se organizarem.
Como organizar sua viagem pela Bulgária:
1. A minha viagem
Para começar, já aviso, fiz um roteiro meio corrido por lá. O problema foi que precisei cruzar a Bulgária da fronteira com a Grécia a fronteira com a Romênia. São muitos quilômetros e a necessidade de usar o transporte público (eu não queria alugar carro sozinha) me tomavam muito tempo.
Eu inicialmente tinha planejado conhecer três cidades nos meus 8 dias por lá (descontando já os dias de viagem). Isso é muita correria para mim, mas nos países seguintes eu teria tempo para descansar. No caso, eu iria a Sofia, Plovdiv e Veliko Tarnovo. Eu não contava, porém, com a dificuldade do transporte. Impossibilitada de seguir de Tarnovo para a Romênia, tive que acrescentar uma noite em Ruse, que fica na fronteira, a beira do Danúbio, e cortar um dia de Sofia.
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Sofia
Apesar de ter feito essas visitas rápidas, deu para ver bastante coisa de cada uma das cidades, que não são muito grandes. Além disso, de Plovdiv eu fiz um passeio, no final do dia, ao Monastério de Bachkovo, o segundo maior do país, fundado em 1083. O interessante de ir mais no final do dia foi que consegui assistir a uma celebração ortodoxa.
Num mundo ideal, o meu roteiro pela Bulgária teria sido de 10 dias:
Duas noites em Sofia
Três noites em Plovdiv (com um passeio a Bachkovo)
Duas noites em Veliko Tarnovo
Uma noite em Ruse (só se você for seguir para Romênia)
2. Outros lugares na Bulgária para colocar no seu roteiro
Não deu tempo para eu conhecer alguns lugares nos arredores de Sofia que parecem ser muito interessantes, como o Monastério de Rila, construído no século 10, cheio de histórias e cultura, é o mais famoso do país.
Fortaleza medieval em Veliko Tarnovo
Eu decidi não conhecer a costa do Mar Negro porque já teria passado quase 20 dias na Grécia. Mas as cidades de Varna e Burgas são as maiores da região e mega movimentadas no verão.
Já no inverno, as duas estações mais famosas são Bansko e Borovet, que tem picos de até 2500 metros de altura. Eu e minhas amigas também estamos de olho em Pamporovo, porque tem mais pistas para iniciantes.
3. Como se locomover na Bulgária
As estradas na Bulgária não tem o padrão de qualidade da União Européia. São meio esburacadas e raramente tem acostamentos. E os motoristas são meio malucos. Não estou querendo assustar ninguém, mas deixar bem claro que dirigir por lá não é coisa para principiante. Foi por isso que eu optei por utilizar o transporte público do país. Mas isso não me deixou longe das estradas.
É porque os trens na Bulgária são muito lentos e eu acabei decidindo ir de ônibus ou van nos meus trajetos. O problema todo é que não dá para comprar nada antecipadamente. Cada cidade tem pelo menos duas rodoviárias e um monte de empresas de ônibus. Com isso, é muito complicado entender como ir de A até B. Mas vamos às dicas:
Ruse
– O site Brgrazpisanie é uma mão na roda para você descobrir pelo menos os horários dos ônibus ou trens. Ou saber se existe mesmo aquela conexão. O melhor: eles tem uma versão em inglês, logo, não é preciso decifrar o alfabeto cirílico. Mas fica a dica: nem tudo está ali. Há outros ônibus e rotas que o site não cobre. Ah, o site da empresa ferroviária nacional é: http://www.bdz.bg/en/
– Aprenda como se escreve o nome das cidades que for visitar em cirílico. São essas letras estranhas que estarão estampadas nos guichês da estação de ônibus, nas paradas, etc. Como pouca gente fala inglês, saber reconhecer o seu destino em meio a confusão é um pré-requisito importante.
– Estação de ônibus chama-se Autogara. Numa cidade, em geral, há no mínimo duas, a Sul e a Norte. É bom ficar atento, porque as vezes você vai chegar em uma, mas precisa partir por outra.
4. Quais países combinar com a Bulgária no roteiro
Veliko Tarnovo
Dificilmente você vai programar uma viagem só pela Bulgária, não é mesmo? Mas o legal é que a localização do país, bem no meio dos Balcãs, é estratégica para quem programa um mochilão pela região. O roteiro mais comum é combinar a Bulgária com a Romênia, nesse caso, no mínimo 20 dias seriam necessários para montar uma viagem legal.
O país também faz fronteira com a Grécia (foi pela fronteira grega que eu entrei, num ônibus excelente, tinha até entretenimento de bordo), com a Turquia, Macedônia e Sérvia. É relativamente fácil pegar ônibus ou trem da Bulgária para esses países, só chegar no balcão e comprar, sem precisar de reservar com antecedência.
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