Tem uma coisa que me incomoda, simplesmente porque quase ninguém me pergunta sobre esse assunto. E não acho que seja por falta de dúvida. Acho que, em 2015, mesmo com toda mulher tendo que lidar de alguma forma com menstruação, o assunto ainda parece ser meio tabu, tido como muito pessoal para alguém vir num blog tirar dúvidas. Mas a verdade é que eu sempre tive dúvidas quanto a isso, especialmente quando vou fazer uma viagem mais longa ou um intercâmbio. Então, chega de tabu, bora falar sobre o assunto.
Antes de dizer qualquer coisa, acho que é importante, além de ler e compartilhar suas experiências, ir regularmente ao ginecologista, afinal, cada pessoa tem um ciclo diferente e existem reações diversas com mesma medicação.
1. Ficar ou não ficar menstruada em viagens?
Uma questão que costuma passar pela minha cabeça é ficar ou não menstruada durante uma viagem. Se for um passeio mais curto, eu não tenho dúvidas, simplesmente emendo o anticoncepcional uma vez. A Naty costumava sempre tomar as cartelas de pílula seguidas, sem pausa.
Mas para mim isso não funciona, porque depois de dois meses fazendo isso, eu costumo ter o problema de escape, ou seja, sangramentos irregulares que são um saco, porque você não sabe quando esperar. E também tem gente que não toma pílula e nem quer começar ou voltar a fazer isso. Enfim, se um sangramento surpresa é chato durante a nossa rotina, numa viagem, com um guarda roupa limitado e nem tanto acesso à maquina de lavar, é um saco!
Logo, para mim, em uma viagem de mais de um mês, eu vou ter que lidar com a menstruação, eventualmente. Então, o que fazer?
2. Como e quanto levar de absorvente ou outras técnicas?
Uma coisa que eu aprendi com a volta ao mundo é que aquele absorvente clássico, com ou sem abas, você encontra em QUALQUER LUGAR e não faz o menor sentido levar um estoque disso numa viagem longa. Na Índia, por exemplo, eu levei vários pacotes a toa. Porém, para viagens mais curtas, de até um mês, eu sempre levo um pacotinho para o caso de emergências.
Outra coisa que eu aprendi é que em alguns países, em geral os menos desenvolvidos ou muito tradicionais, pode ser um pouco mais difícil encontrar absorvente interno. Como a caixinha é menor, pode ser uma boa levar mais de uma, caso você tenha o costume de usar e vá fazer intercâmbio num lugar assim.
Além disso, existe o copinho coletor menstrual, que é a invenção do século, na opinião de todo mundo que usa. Nunca ouviu falar? É uma alternativa aos absorventes, um copinho mesmo, que você insere na vagina e só precisa tirar umas duas vezes ao dia, quando já estiver no conforto do seu hotel ou hostel. Aqui tem um post explicando exatamente como funciona e quanto custa.
Eu acho o copinho coletor uma excelente opção para quem vai viajar porque não só diminui bastante a necessidade da troca (às vezes, durante viagens, é difícil achar um banheiro decente) e também porque você não vai precisar mais ficar se preocupando em comprar absorvente ou se vai achar o tipo que você gosta mais. Nesse site aqui eles ensinam como higienizar.
A grande questão que eu percebi lendo relatos sobre o assunto é que a maioria das pessoas tem um período de adaptação e de entender melhor o corpo e o ciclo. Por isso, não compre o copo na vésperas da viagem: use uns dois meses primeiro para garantir que não vai passar aperto longe de casa. Eu estou tentando descobrir onde comprar aqui em Portugal – se alguma leitora souber, me conta?
3. Dá para encontrar meu anticoncepcional fora do Brasil?
Essa é uma dúvida que sempre me aflige. Eu não tomo pílula, uso um anel vaginal durante o mês, que libera os hormônios e me faz passar menos mal, além de eliminar a necessidade de lembrar de tomar a pílula. Ainda mais durante viagens, que com a mudança de fuso horário, faz você se atrapalhar com a hora certa.
Mas o anel é caro – custa uns 50 reais – e não pode ser armazenado em qualquer lugar. Antes de ir para a Índia, eu sofri porque não queria gastar uma fortuna fazendo estoque para todos os 10 meses de viagem. Assim, eu levei quatro caixinhas (a minha médica me deu uma delas, lembre-se de pedir para a sua), minha mãe me mandou mais duas pelo correio e os demais meses eu fiquei sem. Paciência.
Em Portugal, eu fui mais esperta. Afinal, me lembrei que a maioria dos anticoncepcionais são produzidos por grandes indústrias farmacêuticas que são multinacionais e produzem o mesmo remédio para o mundo inteiro. Ou seja, não precisei fazer estoque nenhum e ainda descobri que o anel aqui na Europa custa 10 euros.
Minha dica para você é: dá uma olhada no site do laboratório do seu anticoncepcional e com seu ginecologista se sua pílula é produzida para o mundo inteiro, onde você encontra e se o nome muda.
Se você não encontrar, não se desespere. Leve com você a receita médica do anticoncepcional e a caixinha. Com isso, é só levar na farmácia que eles descobrem para você o seu anticoncepcional, com o nome que ele tiver no país. Foi isso que a Valéria, que mora comigo, fez. E ela também descobriu que a pílula dela era mais barata aqui.
4. Anticoncepcional, voos e trombose
Tenho visto cada vez mais notícias de anticoncepcionais que causaram mortes ou sequelas graves por conta de trombose – e isso me deixa apavorada, sinceramente. Principalmente porque eu viajo muito e a combinação “voo longo + anticoncepcional” é perigosa, já que ambos são fatores de risco para a circulação humana. Tenho algumas amigas, inclusive uma que é filha de um ginecologista, que decidiram abandonar totalmente a pílula.
Se você tem algum histórico da doença na família, ou fuma, não deixe de consultar não apenas seu ginecologista, mas também um angiologista. Isso é uma questão muito séria e que ainda não foi completamente estudada pela ciência. Considere a possibilidade de usar outros métodos anticoncepcionais e, claro, use sempre camisinha (e lembre-se de levar com você nas viagens!).
O post Menstruação e viagem: precisamos falar sobre isso apareceu primeiro em 360meridianos.
Por: 360meridianos
0 comentários:
Postar um comentário