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Vamos conversar sobre empreendedorismo?

Na época em que eu fazia frilas frequentes para um site sobre educação, entrevistei várias vezes uma orientadora profissional sobre os perfis de estudantes de diversas áreas. Em uma dessas conversas, acabei saindo um pouco da pauta do dia, que era Administração, para falar sobre empreendedorismo. Eu queria saber se havia uma tendência maior entre os estudantes de Administração para se dedicarem a seus próprios negócios.

A resposta da psicóloga me deixou pensativa. Segundo ela, podemos encontrar empreendedores nas mais diferentes áreas e esse perfil não influencia tanto na escolha do curso. Os empreendedores são aquelas pessoas apaixonadas, que querem liberdade para explorar suas ideias, não conseguem se adaptar às rotinas, regras e hierarquia do mercado tradicional e que precisam encontrar sentido na atividade que realizam.

O curioso é que, depois de ter passado mais de 15 anos em salas de aula e de ter frequentado uma universidade conceituada, essa foi a primeira vez na vida que alguém me disse algo que fez com que eu pensasse que, talvez, eu tivesse um pouco desse perfil. E olha que, nessa época, eu já tentava fazer o 360 se tornar meu único ganha-pão.

Planejamento de vida

Eu tive a sorte de frequentar uma escola onde o vestibular era apenas uma preocupação secundária. Éramos estimulados a trocar aulas de matemática por teatro, festivais de dança e feiras de cultura. Aula de artes lá era artes cênicas, ao passo que alguns colégios de Belo Horizonte reservam esse horário para ensinar desenho geométrico.

Nossa criatividade era constantemente estimulada e, ainda assim, nunca me disseram que isso poderia ser mais importante na minha vida que um hobbie. Nunca me disseram que ela poderia me ajudar a criar meu próprio trabalho. Para descobrir todas essas coisas, eu tive aprender a ver além do caminho que a educação tradicional nos ensina a trilhar. E essa foi uma longa jornada de erros e acertos, autoconhecimento e busca por fontes alternativas de aprendizado.

Agora, vamos falar a real aqui: eu não larguei meu emprego para viajar pelo mundo e viver a vida loucamente (YOLO!). Isso seria aceitável por algum tempo, mas depois se tornaria apenas irresponsável e inconsequente. Eu saí do mercado de trabalho tradicional para empreender.

Viajar é apenas uma parte do modelo de negócio e do estilo de vida que eu busquei construir para mim. Uma parte grandiosa, incrível e motivante, mas, ainda assim, é só um dos lados do meu trabalho. Se para algumas pessoas parece que nós estamos vivendo o sonho, é só porque quebramos muito a cabeça para colocar de pé um negócio que amamos.

nômade digital

Acredite: minha vida não se parece com isso (até porque, ninguém merece areia no teclado!)

Eu larguei a segurança e todos os benefícios trabalhistas porque eu quero fazer tantas coisas nessa vida e tenho tantos interesses e projetos que eu não consigo fazer tudo isso caber em um plano de carreira. Porque eu não conseguia me conformar com a ideia de que trabalho é () para pagar as contas. Porque eu precisava preencher meus dias com coisas que fossem importantes para mim. Porque eu ainda sinto calafrios quando alguém da minha família vem falar comigo sobre concurso público, estabilidade e com a perspectiva de ter um único emprego para a vida inteira (nada contra quem opta por esse caminho, é só que eu não me identifico com essa escolha). E essa foi uma decisão calculada, coerente com meu projeto de vida.

Eike Batista bem nos ensinou com sua história que sempre há risco no empreendedorismo. Todo mundo que se embrenha por esse caminho convive com o frio na barriga, com a incerteza e as oscilações do mercado. Já me perguntaram se eu não tenho medo de tudo dar errado algum dia. Sim, eu morro de medo. Não tenho fundo de garantia nem seguro-desemprego. Sofremos com uma variação salarial desconfortável. Exploramos um campo novo, instável, em constante transformação e todos os dias eu acordo me perguntando se já inventaram alguma engenhoca virtual nova que vai acabar com os blogs ou com o modelo de negócio que desenvolvemos.

empreendedorismo

Empreendedores pulam do abismo e constroem o paraquedas na descida

Mas, de alguma forma estranha, o risco é também aquilo que nos move. Porque, como não temos a opção de falhar, seguimos em frente, conquistamos cada obstáculo, criamos soluções para nossos problemas. E a sensação de ver crescer algo que você construiu do zero paga qualquer inconstância.

Não é raro ouvirmos conselhos desmotivantes e assustados quando anunciamos que vamos empreender. Se você disser que quer empreender no campo criativo, então, as reações que você recebe são quase as mesmas que receberia se estivesse anunciando um velório. Nossa cultura tem medo exagerado dos riscos. As pessoas valorizam muito a estabilidade, a segurança e a garantia de futuro. Querem eliminar, desesperadas, as incertezas. Mas o risco é inerente à vida.

O empreendedorismo, no entanto, é uma das chaves para uma economia forte. Ele gera emprego, aumento da riqueza, diversifica a indústria, torna um país menos dependente de conglomerados e alavanca a mudança social, gerando soluções para problemas sérios em determinadas comunidades ou no mundo inteiro.

É por isso que precisamos falar sobre o assunto. Precisamos contar para as pessoas que essa é uma alternativa válida. Precisamos empoderar crianças, adolescentes e adultos para que empreendam – seja em um novo negócio ou dentro de seus trabalhos atuais. Porque, assim como eu no passado, pode ter por aí alguma alma sonhadora e aventureira que nunca escutou que essa era uma opção. Pode ser que essa alma tenha ideias incríveis e capazes de mudar o mundo. Seria uma pena se essas ideias terminassem mortas no fundo de uma gaveta qualquer.

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Por: 360meridianos

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