Já dividi aqui no 360meridianos algumas das minhas experiências com diferentes tipos de viagem: percorrendo os países durante duas Copas do Mundo, usando turismo de base comunitária ou contando sobre minha predileção por pegar estradas. São memórias que guardo com carinho enorme, mas que nos últimos anos têm sido substituídas por outro tipo de viagem – a que se faz com uma criança à tiracolo.
Há pouco mais de dois anos, quando me tornei pai socioafetivo do Francisco, precisei me ajustar a uma nova realidade. Se antes o meu tempo, curiosidade e desejos eram a principal bússola para definir formas de viajar ou locais que gostaria de conhecer, desde então as tomadas de decisão passaram a ter outro norte. O bem-estar e a diversão da nossa família vem primeiro, junto com o universo de coisas que gostaria de apresentar ou proporcionar a ele.
Existem várias dicas na internet sobre destinos indicados para o público infantil, como planejar uma viagem segura ou qual a melhor maneira de calcular os custos de uma viagem com as crianças. Assim, resolvi centrar as cinco dicas a seguir em alguns aspectos mais subjetivos, porém empíricos, que eu e minha esposa Juliana aprendemos ao longo de passeios curtos ou em viagens mais longas com o Cisco.
Respeite o tempo (e a rotina) da criança
Parece simples, mas é uma dica de ouro. Se seu filho tem hora para acordar, dormir ou comer, desrespeitar esses fatores em nome da pressa de chegar ou de uma folga na rotina tende a gerar mais problemas do que descanso. Crianças cansadas ou estressadas não se divertem e, claro, demandam ainda mais energia de quem os cerca. Se você seguir esse caminho, vai precisar tirar férias das férias.
Para evitar contratempos, planeje os afazeres de acordo com o tempo das crianças. Comece os passeios logo que seu filho acordar, nos horários em que ele está com mais energia, e encerre antes que a agitação pré-sono tome conta. Se for preciso mudar ou atrasar o cronograma para que ele possa fazer uma soneca, esticar as pernas ou ficar mais tempo em um lugar que gostou, tudo bem. Planos existem, mas podem ser alterados. Quando estivemos em Pernambuco, ficamos um dia a mais na praia de Carneiros por solicitação dele.
Prepare um kit de livros, brinquedos e brincadeiras
Não temos o hábito de dar acesso a telas, como smartphones e tablets, ao Francisco. Assim, uma saída sempre útil para tornar restaurantes, viagens de carro e outras atividades longas mais interessantes é ter brinquedos e livros à mão. Procuramos sempre ter algum carrinho ou coisa que o valha na minha mochila ou na bolsa de minha esposa. Perdi a conta de quantas vezes que improvisar uma pista de corrida ou outra brincadeira tornou nossa estadia em almoços e jantares mais duradouras.
Quando chega a hora de dormir, ter um bom conjunto de livros na mala ajuda bastante.
Faça um calendário
Dependendo da idade do seu filho ou filha, conceitos como hoje, amanhã ou duas semanas são bem abstratos. Para que a criança entenda quando a viagem começou, quanto tempo ainda resta ou quando é que vocês vão voltar para a vida normal, preencher os dias viajados em uma folhinha impressa ajuda bem. A mesma lógica serve para quando só um dos pais ou responsáveis vai viajar e a criança terá de ficar esperando. “Vamos colocar um adesivo aqui, que é o dia em que o papai viajou. Vamos colar mais um por dia até ele voltar e pronto! Os 15 dias vão passar rapidinho”.
Leve mapas digitais ou físicos
Para as crianças mais curiosas, as viagens são um bom momento para conhecer melhor o país onde vivem (ou o nosso planeta como um todo). Quando comprei um Atlas durante uma viagem com o Cisco, ele ficava interessadíssimo em saber de onde nós viemos e para onde iríamos no dia seguinte. Foi durante uma viagem ao Rio Grande do Norte que ele começou a entender as dimensões continentais que o Brasil tem.
Promova a interação com crianças locais
Além de se informar sobre pontos turísticos ou horários de atrações de um destino, procure saber também que lugares as famílias que moram nesse lugar frequentam e quais são os hábitos das crianças que vivem ali. Nunca se sabe quando uma atividade tão prosaica quanto uma ida ao parquinho poderá ser útil.
Em uma de nossas últimas viagens, fez muita diferença para o Cisco ter a chance de brincar com o filho de um amigo na casa deles mesmo, como se estivesse visitando um amiguinho da escola. Pode não ser um grande programa para os adultos que estão longe de casa, mas é mais do que suficiente para brilhar o olho da maior parte das crianças.

Sempre procuramos experimentar sabores e texturas de frutas ou outros alimentos da região que visitamos
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Agora que as dicas foram dadas, tenho duas perguntas.
Primeiro eu gostaria de saber de você, que também tem filhos, filhas, sobrinhas ou afilhados: quais são as dicas que você aprendeu na prática ao viajar com as crianças por aí?
Por fim, gostaria de dizer que esse é o primeiro post do 360meridianos que trata de viagens sob a ótica de quem tem filhos. Acham que faz sentido mais conteúdos sobre esse tema aparecerem por aqui?
O post 5 dicas não tão básicas para aproveitar uma viagem com crianças apareceu primeiro em 360meridianos.
Por: 360meridianos
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