Um lugar com 3.200 habitantes, mais de 400 mil ovelhas e uma população de 1 milhão de pinguins. Isso mesmo UM MILHÃO DE PINGUINS para 3.200 habitantes. Ilhas Malvinas para os sul-americanos ou Falklands, para quem acredita que o o território é de domínio britânico.
Visitamos o polêmico território no novo vôo que, uma vez por semana, sai de São Paulo para o desconhecido aeroporto de Mount Pleasant (MPA). Tão desconhecido que na hora do meu check-in, em Belo Horizonte, o atendente da Latam me perguntou o destino e quando informei Mount Pleasant, ele fez uma careta, perguntou de novo e depois perguntou onde era o local. Quando eu falei Ilhas Malvinas a pergunta foi: “mas a gente voa pra lá?”. Sim, voam!
Um voo pouco divulgado, mas ele existe e a gente voou nele e agora te contamos como é passar uma semana nas Ilhas Malvinas, rodeados de pinguins, leões marinhos, ovelhas e muita tranquilidade!

Personalidades mais famosas das Ilhas Malvinas. São 5 espécies diferentes vivendo nas ilhas
Ilhas Malvinas: onde fica
Situadas no Atlântico Sul, as Ilhas Malvinas ficam a aproximadamente 643km do continente e a 1.367km ao norte do Círculo Polar Antártico. Você pode conhecer como Malvinas, mas o pessoal que mora lá só aceita se você chamar de Falklands ou Falkland Islands.
Para entender um pouco mais, são duas ilhas principais, Falklands Oriental e Ocidental, além de outras 778 ilhas menores. Com população de aproximadamente 3.200 pessoas de mais de 60 países, 90% dos moradores são britânicos.

Ponte em Goose Green
Muitos dos nativos da ilha, têm antepassados que estão lá há até nove gerações ou quase 200 anos. O país é uma democracia autônoma, com exceção das relações exteriores e de defesa. Ele é dirigido por uma assembléia legislativa composta de oito membros eleitos. Eles são economicamente auto suficientes e com fortes indústrias de pesca, agropecuária e de turismo, além de indústrias do setor privado, que ajudam a economia e o emprego.
A guerra das Malvinas: como o conflito transformou a ilha
A guerra da Malvinas, em 1982, mudou a vida dos moradores nas ilhas para sempre. O conflito durou 74 dias, e deixou mortos 265 soldados britânicos e 649 argentinos. Apesar dos horrores, para a população da ilha o período que se seguiu foi de reconstrução e de mudanças por lá.
É que próprio governo das Falkland acredita que após a guerra de 1982, as ilhas passaram a ter um desenvolvimento maior. Talvez, muito disso se dê ao fato de que após a guerra, o Reino Unido passou a dar mais atenção para as Falklands.
Helicóptero argentino abatido pelo exército britânico na guerra de 1982, nos arredores de Stanley
Com o fim da guerra, começaram um processo de reconstrução econômica, política e social. As terras foram divididas e foram vendidas ou arrendadas, passando dos grandes fazendeiros para agricultores locais. Esses territórios, que antes da guerra pertenciam 90% proprietários ausentes, após a guerra, passou a ser 95% de trabalhadores e moradores das Ilhas Malvinas.
Por lá, existe um sentimento muito forte de agradecimento aos que estiveram na guerra. Eles costumam dizer que todo o crescimento econômico que eles têm vivido desde 1982, se deve aos esforços de todos aqueles que perderam a vida para que as Ilhas Malvinas fossem livres da Argentina.
Entretanto, a descoberta de petróleo por lá em 2010, que alimentou novas disputas entre britânicos e argentinos.
Por muito anos, várias minas terrestres instaladas durante a guerra ainda estavam ativas na ilha, principalmente nas proximidades de Stanley. Atualmente os campos minados estão desativados e as bombas foram todas retiradas. Ainda é possível encontrar as placas de advertência, mas eles garantem que tá tudo limpo. Eu, por precaução, não ousei nem chegar perto.

Cemitério em Blue Beach, onde estão enterrados alguns dos 255 militares britânicos que morreram na guerra de 1982
Como conhecer as Malvinas
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Passagem
Nós visitamos as Falklands à convite da Latam Airlines e do governo de lá e estivemos no primeiro voo direto do Brasil para as Ilhas Malvinas.
O voo LA8210 sai de São Paulo todas as quartas-feiras, às 9h30, chegando a Mount Pleasant às 14h35. O mesmo avião retorna, também às quartas-feiras, saindo das Malvinas às 16h50, chegando em SP às 21h35.
Um Boeing 767, com capacidade para 191 passageiros na classe econômica e 30 com assentos na classe executiva Premium. A tarifa média é calculada em 800 dólares, mas é bom ficar de olho em promoções. O preço promocional já chegou a R$1.850.
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Clima nas Malvinas
O clima nas Malvinas é temperado, ou seja, a média da temperatura é fria, com uma média de 10 graus e invernos bastante gelados. É o que podemos esperar por estar tão perto Antártica.
Então, se pretende visitar as Malvinas, já pode começar a separar a roupa de inverno e o guarda-chuvas, pois além de tudo, a chuva é bem comum. Só não mais comum que os ventos, que vêm com força, durante boa parte do ano.
Mas não desanime, dias ensolarados acontecem e quando o dia tem sol, as paisagens são de tirar o fôlego.
Em dias de sol, você poderá ter vistas como esta, em Gypsy Cove
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Como é a imigração nas Falkland
O aeroporto fica situado na base militar britânica, 40 minutos distante de Stanley, a principal cidade das Malvinas. Na chegada, ainda dentro do avião, você vai receber um formulário para preencher e entregar na imigração, que é feita logo no desembarque, sem precisar de visto prévio.
É preciso preencher dados básicos: de onde veio, o que pretende fazer por lá e a direção que você está indo nas ilhas. Há uma taxa de visitação de 25 libras, que você terá que pagar no desembarque e apresentar o comprovante na hora de deixar o país. Não perca esse papel
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Internet nas Ilhas Malvinas
Para mim, esse foi o maior ponto baixo da viagem. As ilhas são praticamente isoladas do restante do mundo. Grande parte disso se deve por conta da guerra com a Argentina. Alguns moradores explicaram que os argentinos impuseram algumas restrições para as Falkland e uma delas foi que não poderiam passar a fibra óptica pelos mares da Argentina.
Com isso, a internet que chega nas Ilhas Malvinas vem de satélite, que é muito mais caro e limitado. Isso faz com que internet por lá seja produto de luxo.

Praia em Stanley
Não há wi-fi gratuito em lugar algum da ilha. Em alguns pontos há a placa de wi-fi, mas é para quem tem o cartão da internet pré-paga. Apenas 100 minutos de internet custam 10 libras. E para não perder os seus preciosos minutos de internet, você precisa fazer logoff toda vez que terminar de usar.
No Hotel Malvina, há a opção de comprar 5 horas de internet por 15 libras, mas a internet só poderá ser usada nas dependências do hotel.
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Como se locomover nas Ilhas Falkland
A Figas é a empresa governamental que faz o transporte aéreo entre as ilhas e as fazendas em todo o território das Ilhas Malvinas/Falkland. São 5 aeronaves com capacidade para 8 passageiros. A empresa funciona desde 1948 e foi evoluindo desde ambulância aérea, correio e transporte de funcionários para passageiros, carga, patrulha de pesca e voos panorâmicos. Os voos são uma caixinha de surpresas, a rota é traçada no dia anterior da viagem, pois o horário de chegada e saída pode variar de acordo com os ventos.
Duas pessoas do nosso grupo, que foram para uma das fazendas no interior para ficar um dia, tiveram que ficar por três, pois o clima não possibilitava pousos e decolagens. Por conta da quantidade limitada de lugares, é preciso reservar com antecedência.
As reservas podem ser feitas pelo site da Figas ou por email: reservations@figas.gov.fk.

A curiosidade nesse transporte fica por conta de alguns dados que você precisa passar. Eles perguntam até o seu peso, pra poderem equilibrar a distribuição dos passageiros na aeronave, que é pequena. Se prepare para uma experiência única, com pousos em pastos e até mesmo na rodovia.
Em Stanley, você vai encontrar serviço de taxi, para te levar pelos locais mais perto. Para os passeios, é preciso contratar um guia, já que as estradas de lá não são fáceis. Na maioria dos passeios, é mais tempo off-road do que na estrada. Por isso, aluguel de carro não é a melhor opção se você quiser sair de Stanley.
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Comer e beber em Stanley
Eu, particularmente, sou a maior fã do café da manhã britânico. A combinação de feijão, ovos, bacon, linguiça e pão é o que eu preciso para começar o dia bem. Talvez seja a herança da época do meu intercâmbio na Irlanda. Minha maior saudade! No café da manhã, além do tradicional English Breakfast, você também encontra croissants e uma variedade de geleias e cereais. Para almoço e janta, o cardápio é de sanduíches, massas, saladas, peixes e carnes.
Lembre-se que a Ilhas Malvinas ficam distantes do restante do continente e, por isso, a grande maioria dos produtos de lá são importados. Por isso, o preço é alto e a oferta desses produtos são limitados.
Como tudo bom território britânico, não poderia faltar um bom pub. No caso de Stanley, alguns. E em cidade pequena, os pubs viram as atrações locais, tanto para os moradores quanto para os turistas. São 3 boas opções pra quem quer se divertir: The Globe, The Rose e o Victory Bar.
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Onde ficar nas Ilhas Malvinas
Se você tem viagem marcada ou está pensando em visitar, já fique sabendo que hospedagem não é o item mais econômico da ilha. Na verdade, quase nada por lá anda em conta. Ainda mais com a alta cotação da libra, então vá preparado.
Na capital, Stanley, há três opções de estadia:
A mais procurada é a Malvina House Hotel, com diárias em torno de R$700. O mais interessante sobre esse hotel é que apesar de se chamar Malvina, não tem nada a ver com o nome como a Argentina nomeia o território. O nome se dá por conta de uma garotinha que morava na casa. A confusão é tão grande, que logo após o final da guerra, o proprietário do hotel fez uma votação com os moradores locais pra saber se eles iriam manter o nome original ou não. Quase 40 anos após o final da guerra, o nome continua o mesmo.
Fachada do Hotel Malvina House, em Stanley
Outra opção, na mesma rua é o The Waterfront Boutique Hotel. Ele fica mais perto do local onde as embarcações chegam, é bem menor do que o Malvina e com preço mais alto. Uma diária lá sai por mais de R$1.000. A vantagem desses dois hotéis, é que eles também têm os principais restaurantes da cidade. Então é mais do que comum você encontrar com moradores no restaurante na hora do almoço ou no happy hour.
A terceira opção, mais afastada do centro de Stanley, é a Tu Guesthouse, uma casa de temporada com diárias por R$1100.
Turismo nas Ilhas Malvinas: roteiro de 1 semana
O principal atrativo de quem desembarca por lá é visitar os pinguins em Volunteer Point, mas há muito mais coisas legais pra fazer. Vou listar aqui os passeios que eu fiz em uma semana na Ilhas Malvinas. Deu tempo de aproveitar bastante, descansar e apreciar a paisagem.
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O que fazer em Stanley, a capital das Malvinas
A cidade de Stanley é bem pequena, com cara de interior. Andar nas ruas, quando o vento e a chuva deixam, é um ótimo programa. Uma caminhada na beira do rio é um passeio que acalma, além de ter uma bela vista.
Você também pode visitar o Museu das Falklands; a redação do jornal local, o Penguim News; a prefeitura; o centro de informação ao visitante e o porto, de onde chegam os vários cruzeiros que atracam por lá! Tudo isso, em menos de 300m de caminhada.
Também é no centrinho da cidade que está a Christ Church Cathedral, a Catedral de Stanley, igreja anglicana mais ao sul do mundo. Consagrada em 1892, o que chama a atenção é uma escultura bem no jardim. São dois ossos de baleia azul, que formam um arco e, junto com a igreja, é um dos cartões postais do país.
Monumento na porta da Christ Church com dois ossos de baleia azul
Ali pelo centro também você vai poder ver um museu a céu aberto, no quintal de uma casa. Nele, há carcaças de baleias e outros animais marinhos. Além de um arpão que era utilizado para matar as baleias na região. A placa já diz: “20.000 baleias foram mortas por esta arma entre 1937 a 1965”. Antigamente, a caça de baleias era muito comum na ilha, servindo de sustento para várias famílias. Hoje em dia, é terminantemente proibida.
Museu a céu aberto em Stanley. Na placa, a informação de que a arma já matou mais de 20.000 baleiras entre 1937 e 1965
Na mesma rua, mais pra cima, você poderá ver um pequeno souvenir de um morador da ilha: um canhão da época da guerra. Uma lembrança do que eles viveram, bem no quintal.
Canhão da época da guerra de 1982, no quintal de um morado. Um lembrete do pior momento da história de Stanley
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Museu de Falklands
O Historic Dockyard Museum ou Falklands Museum fica na principal rua da capital das Ilhas Malvinas, bem em frente ao Malvina Hotel, em um espaço bem bonito. O espaço é um antigo estaleiro, datado da fundação da cidade, em 1840.
Na parte de fora há bancos para sentar, lojinhas e espaços onde é possível ver um pouco mais sobre como era a vida no local há mais de 100 anos. Na parte de dentro, são dois andares. No segundo piso você vai descobrir sobre a vida marítima das ilhas, sobre os pinguins e outras espécies, além de como eram as casas, roupas e costumes na ilha antigamente.
Parte de fora do Museu de Stanley. Antigamente era um estaleiro.
No primeiro piso, logo na entrada, várias mobílias e objetos históricos. Há um espaço que é a remontagem de uma vendinha antiga, daquelas que vendem de penico a biscoitos. É no primeiro piso onde há um memorial sobre a guerra, com vídeos e outras memórias. Você vai poder ler cartas de crianças falando sobre como foi a guerra na visão deles. É bem impactante.
Para eles, o museu é o único lugar onde “você vai vivenciar o verdadeiro sabor e essência das Falklands Islands”. Valor da entrada: 5 libras para os adultos e de graça para quem tem menos de 16 anos. Preço que pagamos em novembro de 2019. Vale a visita.


Partes do museu de Stanley. Memorial da guerra de 1982 e os tipos de pinguins que existem na ilha
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Passeio de helicóptero
Quando eu vi na programação um passeio de helicóptero, a minha vontade foi de chorar. Eu tenho pavor de avião e tenho mais pavor ainda de helicópteros, que caem com uma frequência muito maior do que os boeings da vida. Mas como uma boa mulher empoderada que sou, enfrentei meus medos e tive uma das experiências mais incríveis de viagem. Ver as Ilhas Malvinas, de cima, em um dia de céu aberto, foi maravilhoso!
É claro que esse não é o passeio mais barato do roteiro, pelo contrário. Para o voo panorâmico pela cidade, com 20 minutos de duração, 100 libras por pessoa. Há um tour completo de 2h de passeio, por 349 libras por pessoa. Nesse passeio mais longo, o turista vai para Volunteer Point, em um voo de 25 minutos, bem mais rápido e confortável do que o passeio de 4×4, que dura 3h30 cada trecho, balançando o caminho inteiro.
O passeio sai do aeroporto de Stanley, de onde saem os aviões menores, que fazem o deslocamento entre as ilhas menores e o interior das Malvinas. Quem fez o passeio com a gente foi o pessoal da Falklands Helicopter Service.
Sobrevoo de helicóptero de 20 minutos por Stanley, capital das Ilhas Malvinas
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Volunteer Point
Esse é, definitivamente, ir ao Volunteer Point é o passeio mais procurado da ilha. É lá que você vai ver dezenas de espécies de pinguins. A maioria dos turistas que vem de cruzeiro, ao longo do ano, aproveita o dia para pegar a estrada e ir ver os bichinhos.
O valor do passeio para ver pinguins nas Malvinas vai depender do mês de visita e da quantidade de pessoas dentro do 4×4. A média é entre 85 a 100 libras. Vale lembrar que esse passeio é longo, visto que são 3h30 pra chegar e mais 3h30 para voltar. A distância de Stanley até lá não é longa, mas como a maior parte do percurso é feita off-road, isso faz com o tempo dobre. Espere ficar em Volunteer Point entre 1h a 1h30. Eles têm banheiros e uma infraestrutura com alguns bancos.
Como é um passeio longo, você precisa levar a sua água e alguma coisa para comer. Os hotéis costumam providenciar um sanduíche para a viagem, é só deixar avisado na noite anterior.
Em Volunteer Point, um pinguim amigo avisando que dali pra frente, só pinguins podem passar
É preciso alguns cuidados ao visitar a área: manter uma distância de 6m entre você e qualquer animal; os animais tem preferência de passagem, SEMPRE; não pode fumar ou fazer fogueiras; não pode ficar muito perto da água ou um leão marinho pode te atacar sem querer.
Entre os meses de outubro e dezembro, é a temporada de reprodução dos pinguins. É preciso um cuidado maior dos turistas com a área, pois os pinguins tendem a abandonar o ninho se eles se sentirem ameaçados.
A gente fez o passeio com a Estancia Excursions. Fomos com Elsa, uma guia muito extrovertida e que foi explicando tudo sobre as ilhas e sobre Volunteer Point pra gente.
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Passeio de caiaque
Esse foi, sem dúvidas, uns dos passeios mais legais que eu fiz. Quem levou a gente para andar de caiaque em mar aberto foi o Daniel Biggs, da Kayak Adventure. A aventura sai por volta de 80 a 90 libras, por 3h30/ 4h de tour. A gente foi no período da tarde, saindo às 13h e voltando às 16h30.
Chegando na praia, nos arredores de Stanley, tivemos uma breve instrução de como utilizar o caiaque, o que fazer em caso de virar na água e quais animais a gente iria ver pelo caminho. Daniel nos forneceu roupas especiais de neoprene e nos disse que iríamos ficar no mar por aproximadamente 2 horas. Éramos em 4, ele e 3 mulheres. Tivemos que tirar tudo do barco e carregar o caiaque morro abaixo. Fica a dica: esse é um passeio que exige um pouco de força. Tanto para descer e subir com o caiaque da praia, quanto para manejar os remos dentro da água.
Todo o esforço valeu a pena, muito! Vivos leões marinhos de perto, pinguins e uma foca! Para descansar, paramos em uma pequena ilha e fizemos um lanche, tudo incluído no passeio.
Instrutor nos preparando para a aula de caiaque. Roupas especiais e orientações para a prática do esporte
Whale Point
Whale Point é o lugar perfeito pra quem quer encontrar com leões marinhos, ovelhas, pinguins e elefantes marinhos. É um passeio muito interessante e completamente diferente do que estamos acostumados. O tamanho e o barulho dos leões marinhos são de deixar qualquer um impressionado.
Para chegar nesse ponto da Ilha, são 1h30 em 4×4, por dentro de vastos terrenos, sem cruzar com uma alma viva sequer pelo caminho. O nome do Whale Point é por conta dos inúmeros ossos de baleia encontrados na região. É só descer do carro, andar um pouco e você vai encontrá-los.
Além disso, graças clima nessa área, é possível avistar várias espécies de aves por lá.
Eu fiz o passeio com o Andy Pollard, que assim como a maioria do pessoal que leva os turistas para os passeios, tem outra profissão. Ele é um fotógrafo que é apaixonado pela vida selvagem da ilha. Se quiser aprender tudo sobre esses moradores da ilha, certamente ele terá o maior prazer em ir contando pelo caminho.
Em Whale Point, leões marinhos e elefantes marinhos convivem com ovelhas, pinguins e outras aves
Como é o voo da Latam para as Ilhas Malvinas
O aeroporto internacional Mount Pleasant (MPA) foi inaugurado em 1985 e passou a ligar as Ilhas Malvinas ao restante do mundo, criando uma nova rota comercial, uma forma mais rápida para quem busca algum tratamento médico e maior uma força maior para o turismo. Ele fica na base militar britânica, é utilizado para aviões militares que levam suprimentos e soldados para a ilha, além de ser a pista de pouso dos dois voos comerciais que chegam nas Ilhas Malvinas.
A Latam ganhou o direito de explorar a rota em 2018 e demorou um ano pra conseguir aterrissar o primeiro voo por lá. No primeiro voo, a maioria dos passageiros eram da comitiva das Malvinas que foram pra SP exatamente para o lançamento do voo, jornalistas convidados, torcedores do Flamengo (que desceram em Córdoba em escala para o Peru) e argentinos que também só fizeram a metade do percurso.
Para o restante da viagem, éramos aproximadamente 30 pessoas. No voo de volta, pudemos contar no dedo, 10 passageiros. A maioria, os jornalistas que foram no voo da ida. A expectativa é que com a divulgação, esse número cresça. Vale ressaltar que o voo regular que vem do Chile, está sempre cheio, segundo a Latam.
Primeiro voo semanal da Latam, em Guarulhos, a caminho das Ilas Malvinas
Na chegada, fomos recepcionados por um vento fortíssimo e uma mensagem do piloto: nada de fotos no desembarque. Por se tratar de uma base militar, fotografias são terminantemente proibidas por lá. As fotos que temos, foram tiradas por militares no nosso desembarque.
A grande novidade e burburinho desse voo é que em toda segunda quarta-feira do mês, ele tem uma escala em Córdoba, na Argentina, na ida. E em cada terceira quarta-feira do mês, a escala em Córdoba é na volta.
Para um mero viajante, esse pit-stop pode ser visto como apenas mais uma escala normal, mas para a maioria dos argentinos, soou como uma afronta do governo. Tanto é que quando pousamos em Córdoba, parecia que éramos um avião pirata. Ficamos bem longe do terminal, apesar do aeroporto estar vazio. Os jornalistas argentinos que embarcaram lá, disseram que foram tratados de forma especial, separado dos demais passageiros do aeroporto.
O motivo de tanto suspense e mistério? É que a relação entre Argentina e Falkland Islands não é das mais amistosas, desde a guerra de 1982. Mas apesar de toda essa história, esse não é o único voo que faz escala por lá a caminho das Ilhas Malvinas.
O primeiro voo comercial que pousou nas Ilhas Malvinas, em 1999, veio de Punta Arenas, no Chile e, uma vez por mês tem escala na cidade argentina de Rio Gallegos. Essas escalas em solo argentino são uma forma de tentar uma conciliação diplomática entre Reino Unido e a Argentina, que ainda mantém a posição de declarar o território como sendo deles, mesmo que o domínio seja oficialmente britânico.
Chegada do voo no aeroporto Mount Pleasant, nas Ilhas Malvinas. Muito vento, frio e a proibição de tirar fotos. Foto: Andrew Ferguson
Afinal, qual a necessidade de um novo voo para as Ilhas Malvinas?
Oficialmente, a resposta é: abrir uma nova rota de turismo entre o principal hub sul-americano, o aeroporto de Guarulhos, e as ilhas Falkland. Afinal, o turismo é responsável por movimentar 10 milhões de libras por ano. Para um país com 3.200 habitantes, esse valor é bem considerável.
Mesmo com um voo regular por semana, o turismo ainda depende muito de quem chega nos cruzeiros. Para ter uma ideia, segundo dados do governo das Malvinas, em 2017, mais de 57 mil turistas desembarcaram por lá, vindos dos vários cruzeiros que passam por ali, a caminho da Antártica.
Com o novo voo comercial, a ideia é a de que o turismo cresça ainda mais, com turistas que realmente estejam ali para conhecer as ilhas e passar mais tempo, já que os cruzeiros não costumam demorar mais do que um dia por lá. O voo de SP também vem como uma oportunidade de estadias de menos tempo nas Malvinas.
Agora o passageiro por chegar no sábado, vindo do Chile e ir embora na quarta-feira, por SP. Não é mais obrigatório ficar pelo menos uma semana por lá, antes do próximo voo aterrissar. Além de ser uma forma mais rápida e barata de fazer conexão com a Europa e América do Norte, é claro.
Eu fiquei uma semana por lá e depois de muito conversar com os nativos, o que ficou bem claro é que, além de turistas, a importância maior do voo é trazer suprimentos para as ilhas e, assim, quem sabe, conseguir valores mais baixos nos produtos. Principalmente nos perecíveis. Para se ter uma ideia, 1kg de pimentão custa 9,99 libras, o que na cotação atual, é mais do que R$60.
Preço de 1kg de pimentão em um supermercado de Stanley. Valor superior a R$60
O que todos eles concordam e esperam, é que o novo voo coloque as Ilhas Malvinas ainda mais no radar do mundo.
*A viagem para as Ilhas Malvinas foi um convite do governo de Falklands e da Latam Airlines
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Por: 360meridianos
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